sábado, 21 de junho de 2014

A paz mundial: ainda uma miragem




                                      Cunha e Silva Filho


               Há pouco  tempo o Papa Francisco esteve em  Jerusalém, na Terra Santa.Teve encontros com líderes religiosos judeus. Orou junto ao Muro das Lamentações. Encontrou-se também  com  Mohmoud Abbas, Presidente da Autoridade Nacional Palestiniana,  e  Shimon Peres, Presidente de Israel, detentor do Nobel da Paz em 1994,  num diálogo a três seguramente  com o objetivo mais  almejado, que é o de alcançar a paz entre palestinos e judeus.No entanto,  não basta uma conversa  protocolar, um diálogo formal, mais para   gentilezas diplomáticas.É claro que o Sua Santidade  deseja, no fundo da sua alma,   a paz entre  os dois  povos, a paz entre os homens da Terra.Enquanto os espíritos não se desarmarem,  os riscos   das rivalidades entre  a Palestina e Israel  continuarão.
Hoje ou ontem,   um adolescente  palestino  foi  morto  por  balas do Exército de Israel em Dura, perto de Hebron,  Sul da Cisjordânia.”Um tiro no peito,”   informou  o jornal  O Globo na seção Mundo.  Os soldados  israelenses estavam  procurando por três  jovens israelenses sumidos.  O jovem palestino  só tinha   14 aos e se chamava Mohamed Dudin. Houve confrontos e a morte de Mohamed foi decorrente deles.
É assim a imagem que se pode ter de povos que não se entendem e por isso são hostis entre si. É assim o cenário  internacional  do mundo  contemporâneo, tão avançado nas ciências e tecnologias e tão  bruto  na convivência  entre os povos. Onde ficam  os princípios religiosos, onde fica a prática de fazer o bem e de amar  o próximo. Não é certo nem humano que religiões e  ambições  materiais, políticas, étnicas não acertem o passo. Maomé,  Cristo, só para citar dois  exemplo de elevação  espiritual,  de  amor ao ser humano,  de exercer o bem  não estão  valendo  pelo  que representam. As religiões só têm validade se  puserem  em prática os seus valores  espirituais.  Por isso, as chamadas  guerras santas não têm sentido e são  uma contradição  da alma humana.
Os conflitos  em várias partes do mundo  continuam ceifando  vidas, desarticulando  famílias,   provocando  fome,  miséria,  mutilações,  mortes de crianças, deslocamentos  de  povos  para outras regiões  em que possam  ter mais  sossego. Tudo em nome  do fanatismo,  das diferenças  religiosas  e da ambição do poder.
É assim no Egito,  agora novamente no Iraque quase em pé de guerra civil entre grupos  xiitas, sunitas e curdos. É assim na Síria, com um governo  autoritário,  com uma país semi-devastado e um  ditador que se perpetua,  ganha  novamente as eleições e sua nação   prossegue na carnificina,  na divisão  de seus irmãos  da mesma  pátria,    inimigos,  com uma população  se deslocando como refugiados,  indo para a Turquia, o Líbano, a Jordânia, o Iraque, sendo que  este último se encontra, agora,  em estado de desespero  com  a própria população correndo,  amedrontada com os jihardistas. 
Às vezes, me pergunto  se valeu a pena os americanos  terem  permanecido   por tanto tempo no  Iraque após a queda de   Saddam Hussein. Tudo voltou  à tona. Parece uma sina.  Como não bastasse, estão  ainda em  conflitos sérios, com mortes  e massacres, além de Israel e a Palestina,  países como  a Ucrânia,   a Colômbia,  a República Centro-Africana. O número de refugiados de regiões conflagradas já atingiu 51, 2 milhões e, segundo a imprensa,  é o mais elevado   desde a Segunda Guerra Mundial. São, até agora,  dez  países que  têm  suas populações    se refugiando em  outros  países.
Nem as Nações Unidas  conseguem  dar  apoio  especial   a tanta gente  esperando  ajuda em todo os sentidos  da vida: moradia,  alimentação,   educação,  saúde, emprego  etc. O Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur).
É difícil que esse órgão  das Nações Unidas    consiga  dar   conta de tantas   necessidades  das populações  em êxodo  decorrente  de guerras civis,  bombardeios,  fome e miséria.Admirável  Novo mundo  é  esse que estamos   vendo. E, o que é  pior,  as nações mais  ricas  estão também  com  problemas  financeiros,  o que  reduz  as possibilidades de auxílios e doações aos refugiados que se espalham  por várias partes do  Planeta.
Este  retrato  de um mundo em crise e no caos limita  as nossas esperanças  no ser humano  e as possibilidades de recuperação da crença   de que haverá melhoria no comportamento das sociedades humanas, pelo menos  a médio  prazo.Mas, um culpado  existe de forma  explícita:   o descompasso entre os princípios  religiosos e sua  prática, entre o que  se escreve nos livros sagrados e o que se  faz na vida privada e na vida coletiva, entre  os valores  éticos e a brutalidades das ações do homem.
De que valem  as pregações religiosas, seus rituais,  suas orações, seu aprendizado se, na vida  em sociedade, não são postos   em  execução. Se as religiões  se transformam  em fanatismos   e anacronismos   contra  a dignidade humana, contra a vida e os sentimentos de amor e paz,  elas  perdem sua razão de ser.

Diria mais: se as religiões, a educação  e os  sistemas de governos  não conseguirem  reduzir  os excessos  de ações desumanas em que o mundo  contemporâneo está afundado, dificilmente  iremos atingir  uma fase de paz duradoura, na qual o homem  não veja o seu semelhante  como um inimigo e sim como alguém que está  disposto a lhe estender a mão  amiga e solidária. O ser humano, com todas as diferenças  culturais,  étnicas, religiosas e políticas, não pode  desmerecer  a sua dimensão  humana e pacífica na vida em sociedade. 

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